Primeiro, a chave tetra. Depois, a correntinha e, por último, as duas voltas na chave da fechadura. Abri a porta pra jogar o lixo fora. Coloquei a sacolinha junto das outras inúmera sacolinhas, quando, de repente: pum! só senti aquele frio na barriga e corri pra ver o que eu já tinha dado conta: estou trancada pra fora. A porta não abre por fora se não estiver com chave. Eu, de chinelo havaianas, meia, calça de moletom, uma blusinha e cabelo molhado.
E agora? Bem, a dona do apartamento mora no prédio ao lado, mas qual apartamento??? tento abrir a porta, com uma esperança que não existe. Pra qual vizinho pedir ajuda? Não vi nenhum até hoje. Ando pra lá e pra cá no corredor quando decido ver se tem alguém lá embaixo. Quase caio da escada. Ok! Estou em pânico.
Decido ter coragem pra subir e bater na porta de qualquer vizinho que seja. Me deparo com o da porta da frente saindo de casa: discúlpeme, puede ayudarme? No, lo siento, estoy apurado, tengo que trabajar.
Saio do prédio junto com ele, porque a porta do prédio também só se abre com chave (não existe portaria). Estou do lado de fora, com uma única informação: a dona vive no 6º andar. Tenho 8 opções: do A ao H. O frio no cabelo molhado, congela. Começo a apertar todos os botões dos apartamentos até que um sujeito desce e pergunta se apertei o 6º C. Sim, apertei, porque não sei qual é o apartamento da Maria. Fomos até o zelador, que até então não sabia onde ficava, e ele me informou: é o 6º H. Gracias, muchísimas gracias. Maria estava e me entregou outro molho de chave. Nunca mais abro a porta sem a chave na mão.
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