Tem certos momentos da vida que a gente precisa parar. E quando a gente nao pára, alguma coisa acontece pra que a gente pare.
Quando resolvi fazer uma pós no exterior nao tinha qualquer intençao de parar. Muito pelo contrário, queria voltar a estudar, trabalhar ainda mais pra fazer mais dinheiro. E tudo isso está acontecendo (exceto a parte de fazer mais dinheiro). Voltei a estudar, estou trabalhando bastante, mas, de alguma maneira, eu parei.
Viver sozinha, totalmente sozinha, faz a gente parar e olhar pra si de um jeito diferente. Talvez se eu estivesse desempregada, sem estudar, mas no ambiente de sempre, vendo as mesmas pessoas, talvez nao estivesse pensando tanto como estou agora.
Uma amiga hoje me escreveu e nao poderia descrever melhor o que estou vivendo. Estou fazendo os meus horários, cantando minhas músicas sozinha, dançando quando tenho vontade e, por incrível que pareça, às vezes emito um som só pra nao ter de passar o dia sem dizer quma palavra sequer.
Estar sem companhia, sem sua língua materna nos traz a uma imersao estranha. Ela vem sem motivo e acaba transformando um milhao de coisas. Nao estava buscando isso, nao vim buscando exílio ou uma "fuga da realidade". Vim estudar e ganhar experiência internacional. Mas to ganhando outras coisas que talvez me marquem por muito mais tempo.
A revisao de valores, de sonhos, de desejos acontece sem mais nem menos. O que estou fazendo? O que eu fiz? O que pretendo fazer? Nao queria estar me fazendo essas perguntas, mas eu estou. Pelo simples fato de nao ter mais o que pensar. Mesmo pq, o pensamento é um dos poucos lugares em que se consegue escutar a própria língua. Todas as mil coisas que estao acontecendo simplesmente levam a essas perguntas. A essa coisa de parar e rever.
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Um comentário:
Fiquei tão feliz de ver q vc postou aqui! :)
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